A marca como um manifesto

“Onde há dignidade, senão onde há honestidade?” ― Cícero

Eu tenho 38 anos e quero viver a minha vida sem arrependimentos. Quero chegar lá, olhar pra trás e descobrir que entre as perdas e danos do processo, eu consegui vivê-la dignamente e, se possível, seja merecedor de uma medalha de honra ao mérito.

Se você procurar por honra no Wikipedia vai encontrar que “honra é a avaliação do procedimento de uma pessoa e estado social baseado nas adoções daquele indivíduo e ações. O oposto de honra é a desonra (ou opróbrio)”. Não diz muito claramente de primeira mas, lendo um pouco mais, encontro na mesma fonte que: “Honrado é julgamento que determina o caráter de uma pessoa exatamente: se ou não, a pessoa reflete “honestidade” (um conceito em português, que tem respaldo na Bíblia, de não-Corrupção, de “respeito”, “integridade” e/ou “justiça social”.

Samurai
Os samurais colocam a honra acima da sua própria vida.

No Japão, a honra sempre foi vista como um quase-dever (pelo Samurai, mas também pelo cidadão comum). Quando se perdeu a honra ou a situação fez-lhe perder, havia apenas uma maneira de salvar a sua dignidade: a morte. Seppuku (vulgarmente chamado de “harakiri“, fincar uma espada no abdômen) foi a mais ilustre morte em tal situação. A única forma de um Samurai morrer mais honradamente era ser morto em uma batalha com uma espada.”

Já pesquisando por integridade, encontrei que “vem do latim integritate, que significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honraéticaeducada, brioso, pundonoroso, cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocênciapureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.

São exemplos de integridade moral e corporal: a vida íntegra, a integridade física, dos bens sociais e individuais, integridade da honra e da fama, a integridade da intimidade pessoal, do nome, da imagem e dos sentimentos. É indiscutível a admissão da existência de determinados bens da personalidade e sua integridade, portanto, esta coaduna com o respeito, e este com a moral, e, quem tem moral, é íntegro.

Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infrigindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.”

Vou repetir porque arrepia: “Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infrigindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.”

Eu já escrevi aqui sobre o erro que cometemos ao não incluir na conta do PIB, o custo enorme dos recursos não-renováveis e dos colaterais em Manifesto pro Herói do Hoje (ou porque você tem que rever seus conceitos e business plan). E o texto, pensando agora, é todo sobre sobre integridade.

A integridade é difícil de ser tida e mantida. É mais fácil se deixar levar pelas situações momentâneas. Deixar-se corromper, perdendo a integridade e se transformando em alguém desonroso, corrupto. É fácil e, todo mundo para mais ou para menos, é.

Pela escassez do contrário, temos figuras tão celebradas como Jesus que preferiu ser torturado e morto à perder sua integridade e infringir as leis ortodoxas pelas quais vivia. Segundo diz-se, Jesus era o próprio Deus feito humano para trazer por seu exemplo a maneira de se conduzir uma vida baseada na paz, não violência, tolerância e amor. Ele personificou a tal da integridade divina durante os anos de sua vida.

A integridade e o propósito da jornada

“Uma definição correta e honesta de se fazer negócios é a ajuda mútua” — William Feather

Se entendermos as empresas, como times, grupos, nações de pessoas que agregadas formam uma unidade sob uma bandeira, ou marca, podemos traçar a analogia e trazer esses conceitos (o que naturalmente já fazemos) para o mundo dos negócios.

Uma empresa íntegra é uma empresa que “não se vende por situações momentâneas, infrigindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral dessa empresa não tem preço e é indiscutível.” Adicionaria ainda, a produção ou comercialização de produtos e serviços de qualidade. Ainda, uma empresa íntegra não faz propaganda enganosa, entrega o que promete, cumpre prazos e compromissos e por aí vai.

O julgamento Final de Michelangelo na Capela Sistina.
Mesmo que você ignore, sua empresa também será julgada como em O Julgamento Final de Michelangelo na Capela Sistina.

Da mesma forma que um indivíduo passa pela vida e é “julgado” por si e pela comunidade, as empresas também são.

Esse “julgamento” agora em um mundo conectado, onde a informação corre instantaneamente, está gerando uma verdadeira revolução.

Com a abundância de oferta e com a conversação global, os consumidores decidem não apenas pelo melhor produto, objetivamente, mas numa análise muito ampla e íntima sobre a “integridade” do conjunto. Uma empresa cujo CEO é tido como corrupto, com certeza, será penalizada no mercado consumidor com compradores votando “não” ao todo que representa a marca.

Uma empresa com integridade por outro lado, terá maior valor e passará por invernos com mais chances de sobreviver. E, mais, uma marca com manifesto  propósito claro e “divino” como é o caso da Apple ou do Google, irá inspirar consumidores e profissionais a cultuarem-na e mais facilmente se motivarão a participar da sua construção.

O propósito “manifesto” de uma marca é algo a se refletir e ter claro ao se iniciar a jornada. Raramente uma empresa começa a dar frutos “generosos” antes de seus 2-3 anos de existência, mas o processo pode ser encurtado se a expressão do seu propósito for bastante clara e alinhada com os desejos subliminares éticos do mercado, desejos ‘não-manifestos’, ‘não-articulados’ mas centrais na tomada de decisão.

O manifesto deve tocar o não-manifesto

“Seu propósito está onde o seu talento e a necessidade do mundo se encontram.” – Aristóteles

Quando compramos um iPhone, estamos comprando em grande parte este ‘não-manifesto’, ‘não-articulado’ desejo por um ‘gadget’ digno, quase divino, mágico, que nos ajude a nos comunicar e a fazer tarefas de forma mais eficiente. A intenção e propósito da Apple ao criar o iPhone, embora atrelados ao desejo de conquistar mercado, aumentar seu faturamento e “dominar o segmento”, só é conseguido ao entregar um produto íntegro, honesto para o mercado consumidor.

Steve Jobs sempre falava sobre prometer pouco e entregar muito.

Quando o Antennagate – o mau funcionamento da antena dos iPhones devido a um defeito de engenharia – veio à tona, o primeiro a aparecer para endereçar o problema foi o próprio pastor Jobs que rapidamente distribuiu a “cura” das capinhas plásticas, mantendo assim, à custa de muitos milhões de dólares, a integridade e honra da religião Apple.

A Apple se assemelha a uma religião porque entende e aplica muito bem a sabedoria de conduta das leis universais contida nos ensinamentos sagrados.

Se seu trabalho for sagrado, sua vida também será.

Multiplicação dos pães
Multiplicação dos pães num mosaico (ca. séc. XII) na Igreja de Chora, Istambul.

Não é fácil, mas construir uma empresa com um propósito do bem faz tudo valer a pena, magicamente. Qual a marca nacional que executa sobre essa sabedoria? No meu ponto de vista, a Natura é uma delas. Eles conseguem transcender aos objetivos tacanhos e baixos da maioria das empresas e se posiciona como uma organização eticamente superior. Não conheço a fundo, mas sinto que as pessoas se motivam muito a falar sobre ela.

Acho que uma marca simboliza tudo que a organização está aí para fazer eticamente e por qual Deus ela está a lutar. Por isso, ao começar uma empresa, comece com um manifesto. Um que seja sincero e legítimo.

Liste os seus valores éticos, articule o que você deseja que ela faça para transformar o mundo em um lugar melhor. Não para você, investidor ou acionista mas para quem estiver consumindo. E, não apenas de forma utilitária, mas num plano mais distante, no plano ideal de um mundo melhor, de um mundo onde o que você planeja fará a diferença.

Sim, num plano quase religioso.

E, tenha certeza de que a empresa não esconderá nenhum “dirty little secret” no seu processo de produção, como inundar rios com detritos químicos ou o ar com tóxicos. Esse tipo de “pecado” também você (ou a humanidade) vai ter que pagar em algum momento no futuro.

Lembre-se, o consumidor está reavaliando eticamente as marcas com quem fará negócios, ele espera que você não seja mais um destruidor. Ele, ao contrário, está a espera de um messias.

Desenvolva o produto, preste o serviço mas antes de tudo, faça o bem. 

Essa é a lição sagrada que está nos livros.

Pensando agora, aqui com os meus botões, talvez seja essa a lição do milagre da multiplicação dos pães e peixes na Bíblia.

 

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  • Incrível, eu fiz meu manifesto semana passada. Um doc simplório com itens que descrevem o propósito da empresa, e o perfil dos sócios / funcionários. Legal ler isso!!

    • Jean, eu acredito que o futuro é dos ativistas. Um empreendedor tem que ser um ativista pela causa certa. Um empreendedor ativista é um artista que cria um futuro melhor potencializado por todos que o seguem. E eles só o seguem pois ele é a “voz do povo” naquele “pleito”. Eu consigo enxergar claramente isso. O passo de criar um manifesto e pensar nele, e pensar em como a sua intenção/trabalho se alinha com os interesses do mercado de uma forma mais ampla e como fazer esse manifesto ecoar/reverberar no coração de quem interessa é em si uma arte também. Por isso, acredito que as referências religiosas são muito elucidativas 🙂

      Obrigado pela presença ! Abraços

      • Eu acredito nisso também. A Olah!, que eu mais 1 sócio estamos desenvolvendo, não será uma simples empresa sedenta por lucro a qualquer custo. A Olah! já é uma filosofia, cuja existência tem um propósito que é humanizar novamente o relacionamento entre as pessoas. O mundo já tá cheio de pessoas trabalhando por um salário. Dinheiro não pode ser objetivo pra nada. Apenas consequência. Como você muito bem disse, precisamos trabalhar por uma causa. Grande abraço. Ah, se quiser conhecer o nossa fanpage que iniciamos, visita lá: http://www.facebook.com/olahtech

  • Muito bom!
    Coincidentemente, iniciei essa semana um texto sobre a “ética como construção de uma marca pessoal” para profissionais freelancers/autônomos. Estes, muitas vezes não conseguem ter uma carreira de sucesso devido a vida pessoal desequilibrada, que “mancha” a vida profissional. É impossível negar que as duas vidas são apenas uma.

    Parabéns pelo texto 🙂
    Abraço!

    • Valeu, Hudson. Manda o link do post pra eu ler. Concordo com você, e cada dia mais as pessoas vão ter se preocupar como se preocupavam numa aldeia pequena onde todos sabiam de tudo e de todos.
      abs!

  • No filme advogado do diabo, “o diabo” pronuncia por pelo menos duas vezes que o seu pecado favorito é a vaidade. Seu texto, André, é uma boa maneira de entender a razão disto. Vc discorre, na essência do texto, sobre a integridade, em minha opinião, o extremo oposto da vaidade. Vaidade, do latim, traz em sua raiz a idéia de vazio, embora com a evolução dos tempos e
    com interpretações errôneas da literatura, tenha recebido um significado de virtude, (talvez, obra do diabo ahahaha) de cuidado com a aparência.

    A integridade se apresenta do lado totalmente oposto, algo integral traz a idéia de totalidade, de preenchimento, algo consistente, não
    oco. Acho muito legal o item do artigo a “integridade e o propósito da jornada”, André. O texto mostra bem como devem ser fundadas as bases das pessoas, sejam essas físicas ou jurídicas. O que tenho visto ultimamente, em congressos, feiras, reuniões e etc…, é que muitas empresas hoje são fundadas nem baseadas em oportunidade, nem em necessidade, e infelizmente nem com bases na integridade, mas arquitetadas na vaidade. Na vaidade pura de se conseguir, especialmente, fama e dinheiro.

    Acho que tem faltado algo que vc me ensinou André, falta dar água pra quem tem sede. Vejo poucos empreendedores procurando pessoas com alguma sede. Parece mais fácil oferecer mais água para alguém que comprovadamente já tenha pagado pela água. Mas qual seria o sentido disso? Afogar algumas pessoas, enquanto outras morrem de sede?

    Não vejo pessoas físicas se afogando, mas acho que em breve esse comportamento pode ter um movimento contrário e todo esse investimento em água se tornar um grande dilúvio, e afogar muitas pessoas jurídicas.

    Não estou quero julgar se há quem empreenda certo ou errado. Acho que isso não existe. Mas concordo totalmente com a idéia de que sem propósito, valores morais e ativismo, não tem desenvolvimento. Achei muito legal a idéia de
    manifesto, vou aplicar.

    To feliz em voltar a postar aqui. E, pô, esses posts me fazem
    refletir sobre muitas questões essenciais. Só posso agradecer.

    Abraços

    Vinicius

    • Vinicius, boa a ligação com a vaidade. Não tinha conectado. Vaidade de um lado, integridade do outro, vazio, oco versus cheio, completo. Elucida muito. Eu acho que é gramática de Deus e portanto das pessoas, que estamos decifrando sem medo 🙂
      Não tenho dúvida sobre a fama e o dinheiro serem o motivador principal e a ideia é de opor isso a algo com fundamentos, com propósito.
      Como eu falei, 38 anos é um bom tempo já pra ter visto algumas coisas por aí, e a mudança que a internet pode trazer e eu acho que gradualmente traz é deixar o ambiente mais transparente e isso é uma boa evolução pra que façamos as escolhas com base em informações mais amplas que equivalem a uma tomada de decisão mais primitiva e mais essencial.
      O risco é que a internet crie esses “nodes gigantes” dominados por poucos players mas aí é outra discussão 🙂
      Eu acredito que as pessoas vão optar por empresas mais transparentes e com manifestos que ecoem em seus corações e mentes nesse momento que vivemos e iremos viver de maior conexão.
      Ontem assisti Django e uma fala do personagem encenado pelo Leonardo DiCaprio é muito boa: “Pergunto-me porque em todos esses 50 anos, os negros não se levantaram e mataram os brancos?”. Embora tenha demorado, hoje o presidente dos EUA é negro.
      Acho que o mesmo acontece em tudo, essas mudanças demoram mas acontecem. As empresas vaidosas, assim espero, serão substituídas pelas empresas íntegras e cheias de bons propósitos.
      Vinícius, valeu pela contribuição. Muito boa mesmo. Até a próxima. Abraços.

      • Posso ser linchado por esse meu comentário, mas acredito que os negros não se levantaram para matar os brancos
        porque há também preconceito de negros para negros, assim como caucasianos matam caucasianos. No fim todas as raças têm comportamentos similares, somos humanos pô. Diferenciamos-nos, talvez, por nossas culturas. E, provavelmente daí vem a demora. Mudar uma cultura, em qualquer esfera, é algo bastante demorado, algo que poder permear gerações. Contudo, toda cultura deve nascer de um manifesto. Seja esse manifesto oficial ou não, princípios e valores todos temos, sejam esses bons ou ruins de acordo com a visão de cada um. Já tivemos nossa cultura baseada nos cigarros vila-rica, certo? Ahahhaahah. Hoje felizmente parece que isso vem mudando.

        Acho que a economia vai passar por grandes transformações nos próximos anos. Consigo ver nodes gigantes no futuro ainda, contudo bem menos do que temos hoje, e cercada de uma revolução empreendedora. No ranking de 2010 do
        Banco Mundial do ambiente de negócios ao redor do mundo, Ruanda deu um salto de 143° na lista, foi para a 67ª posição. E tipo…. Ruanda cara, que nos anos 90 teve a população estraçalhada. Motivos dessa evolução? Em outro estudo global,
        a facilidade de se abrir uma empresa, Ruanda ficou em 11° (Isenberg, 2010). Não estou dizendo que Ruanda tem que servir como exemplo de gestão para uma nação se desenvolver. Estou dizendo que a atividade empreendedora pode ser uma grande alavanca propulsora para qualquer país, até em Ruanda. O Chile com seu programa de fomento a startups também mostra iniciativas legais.

        Acho que uma revolução empreendedora está por vir, mas se essas novas empresas virão fundamentadas em integridade e propósitos virtuosos, dependerá do que a população escolher. O Darwinismo econômico está aí, mas no darwinismo não sobrevive o mais democrático, mais forte, mais limpo, o mais integro. Sobrevive o mais apto. E, para estar apto a empresa deve atender a necessidade dos seus consumidores. Será que nós como clientes demandaremos integridade como pré requisito na escolha de consumo? Espero que sim. E espero também que no futuro, ter dignidade não seja digna de uma medalha.

        Eu acho que o futuro vai ser legal nesse sentido, se vai ficar melhor ou pior não sei, mas vai ficar bem mais dinâmico. Não sei se me faço por entender, mas acho que o jogo vai ficar mais jogado, mais corrido, e menos encerado, burocratizado, engessado. Mas deixa eu parar que eu já to trocando de assunto. ahaha

        Vlw pela resposta André, eu que agradeço de poder comentar aqui.
        abraços

        • Bastante coisa, hein? 🙂 Então, não sei por onde começar mas acho que:

          1. O empreendedorismo está explodindo no mundo ao que tudo indica… acho que pelos custos baixos de se iniciar uma empresa hoje em dia (para alguns setores) e a cultura do empreendedorismo que vem se sofisticando na esteira. Não consigo ir muito a fundo mais 🙂

          2. Acho que o darwinismo econômico é a grande questão do texto, no meu ponto de vista. Sim, vivemos em um universo darwinista e a ética darwinista é cruel e violenta principalmente contra os fracos, despossuídos, solitários,…e gananciosos, inescrupulosos inconsequentes. Veja, nem sempre a justiça é feita talvez por falha no sistema, talvez porque o “timeframe” de reação seja desconectado da ação. A indústria poluidora passou décadas transformando os mares, o ar e os rios e tudo mais em um lixo gradativamente, sem que esse “dano colateral” fosse visto como tal, reconhecido como um problema. Hoje pode ser reconhecido mas não sei ao certo o que se faz para coibir que isso continue acontecendo. A punição por esse “pecado” virá porém talvez apenas o bisneto do atual presidente pague o “pato”. Não só ele mas tb. os nossos bisnetos também, o que é bem pior.

          O darwinismo é míope, ele enxerga apenas 2 gerações à frente. A natureza é imediatista e por isso o ser humano nunca se preocupou com o futuro além dos seus próprios filhos e netos. Agora, como a coisa está ficando preta mesmo e evidente, impossível de se varrer para baixo do tapete, a consciência está batendo e as pessoas estão ficando frente a frente com um espelho bem feio.

          Portanto, eu acho que a superação do darwinismo econômico se faz necessária e deve ser imposta limitações para que ela seja Pós-Darwinista, já que enxergamos a limitação dessa dinâmica em enxergar que com o poder que temos hoje e se vivermos como fomos programados geneticamente, evidentemente iremos destruir o nosso único habitat.

          Sim, o darwinismo ainda será a forma pelas quais funcionamos…o processo de evolução age em tudo MAS se quisermos superar a armadilha precisaremos nos auto-infringir limites, o que está óbvio nessa altura do campeonato.

          No meu ponto de vista (bastante pessimista), estamos num momento decisivo com 2 grandes dinâmicas governando o mundo: o capitalismo acelerado e democratizado pelo empreendedorismo (todos poderão participar da farra econômica em teoria) e a rápida degradação do meio-ambiente causada pelo poder tecnológico de destruição/transformação, domínio e miopia darwinista.

          Nos 2 posts (o acima e o do herói do presente) tento deixar claro pra quem lê e pra mim mesmo, que precisamos de um novo capitalismo. Um capitalismo consciente que talvez pudesse ser direcionado para substituição da máquina de destruição insustentável de hoje por uma que conseguisse remediar o que foi feito do Planeta até agora.

          Te dou um exemplo: se um capitalista ganhasse mais ao desenvolver/comercializar painéis solares do que queimando carvão ou explorando petróleo, poderíamos ter a máquina voltada para a renovação e substituição tecnológica, usando o próprio sistema pra isso.

          Pare a máquina que é ruim, construa uma máquina que é boa e continue feliz e ganancioso, só que agora para o bem 🙂

          É uma visão simplista, desesperada mas que acabei por pensar pq. falar pra o mundo capitalista que ele não vai mais poder crescer, não vai mais poder empreender, etc, me parece um tanto quanto insólito. Embora, se seguirmos esse curso, …

  • Acabei de receber esse post da VentureBeat: http://venturebeat.com/2013/02/18/developers-choosing-conscience-over-profit/ que fala mais ou menos das mesmas coisas daqui com muita coisa boa, pra quem tiver interesse.