A propriedade é fragmentada na economia conectada

Tenho pensado muito sobre modelos de negócios tradicionais em comparação aos novos modelos de negócios na internet.

Os fundamentos da economia da era da internet, ou como queira chamar, são diferentes da economia tradicional e vem gradativamente alterando nosso ambiente.

Na economia em rede, a propriedade é fragmentada em uma gama de pedaços, acelerada pelas vias eletrônicas e dispersadas, distribuída entre os trabalhadores, capitalistas de risco, investidores, parceiros, outsiders e, pelos seus concorrentes.

As redes geram o capitalismo da multidão.

Ainda, conforme a rede evolui, o centro recua. Não é coincidência de que as redes globais aparecem no mesmo momento que o movimento literário pós-moderno. No pós-modernismo, não há uma autoridade central, não há dogmas universais nem fundamentação ética. O tema do pós-modernismo em artes, ciência e política é resumido por Steven Best e Douglas Kellner em seu livro The Postmodern Turn: “O pós-modernismo resulta na fragmentação, instabilidade, indeterminação e incerteza.” Isso resume a rede também.

Os fundamentos da rede renuncia o rígido, a estrutura fechada, os esquemas universais, a autoridade central e os valores fixos. Ao invés delas, as redes oferecem pluralidade, diferenças, ambiguidade, incompletude, contingência e multiplicidade. Essas qualidades são ideais para mudanças disruptivas, para a aparecimento do crime organizado digital e para agravar a falta de valores comuns.

Por isso, modelos de negócio que prosperam nessa fase estão alinhados com essas características: redes sociais e plataformas tecnológicas abertas ou semi-abertas. Elas não possuem autoridade central, procuram ser relativamente neutras e servem de base para que de forma “frictionless” (sem fricção) haja a interação rápida e livre entre os agentes. Um fluxo sem interrupções ou atrito onde a energia corre solta sem silos fechados.

A informação é a energia da economia conectada. E, ela é quasi-gratuita.

O Facebook, uma rede ou plataforma social, como exemplo, oferece nenhuma fricção para acesso ao usuário além da informação de nome de usuário e senha. Não há investimento, não há mensalidade, não há custo de ingresso para se conectar a rede mundial autenticada pois cada usuário é em si o ativo da rede.

O valor da rede é o próprio usuário, ou seja: na rede, o ativo é o usuário.

O acesso a esses , é vendido para as organizações privadas (em sua maioria, fechadas) que oferecem serviços e produtos numa micro-economia “übber” eficiente, considerando a condição logo anterior.

Com a diminuição dos custos entre produtores e consumidores, uma pequena parte do excedente vai para a operação do Facebook o que dada a sua abrangência gera um valor monetário considerável enquanto gera para os usuários da plataforma, um valor incomensurável.

Este explica em parte porque a internet é uma fenômeno incrível e quase divino, e porque o modelo de negócios do Facebook surfa nos benefícios da adoção e uso maciço dela enquanto não conflita com as regras gerais traçadas acima sobre a natureza da rede.

Algumas discussões em torno do Facebook, comprovam isso, ao questionar o quão ético é a atual venda de informações dos usuários para as empresas e mais recentemente ao “bad karma” de seu IPO que gerou 100 bilhões de dólares, evidenciando falhas na neutralidade ética da organização.

Os silos de poder ou propriedade por todo o mundo estão ruindo pois é impossível conter a destruição causada pela eficiência econômica da internet em conectar produtos, ideias e pessoas.

Novos negócios que terão sucesso serão baseados em modelos abertos e não-proprietários ou como alguns chamam: colaborativos – nomeado a partir de outra ótica, que leva em consideração o alinhamento de interesses entre os agentes participantes continuando o movimento de conectar pessoas a pessoas e pessoas a ideias. E, obviamente, ideias a ideias.

As novas empresas devem seguir os fundamentos da rede: renunciar ao rígido, a estruturas fechadas, a esquemas universais, a autoridade central e aos valores fixos. As novas empresas devem oferecer base para a pluralidade, as diferenças, a ambiguidade, a incompletude, a contingência e a multiplicidade.