Acredite em mim, estou mentindo

Bom, começar o blog não é nada fácil. É o pânico da folha em branco…

A idéia de fazer um blog é inspirado no blog do Ryan Holiday que acaba de escrever um livro sobre manipulação da mídia.

Ryan escreveu Trust Me, I’m Lying – Confissões de um manipulador da mídia que eu comecei a ler ontem.

Acredite em mim, eu estou mentindo conta a história “verídica” de Ryan trabalhando nos subterrâneos da mídia – os blogs, para manipular a mídia e promover eventos, produtos e tudo que pagasse bem.

Manipulação da mídia é algo a se saber. Atualmente, ela define tudo que você lê, ouve e vê online. Tudo.

Ele é antes de tudo um hacker, mas um hacker diferente: um media hacker. Media hackers são incomuns e meu interesse está no topo pra sair um pouco do universo sensacionalista que a internet está se tornando. Eu sou apaixonado pelo meu dia a dia em tecnologia mas eu me sinto sufocado pelo dilúvio de informações plantadas para promover as novas startups ou as novas celebridades do meio. É difícil de discernir e também difícil manter um foco.

A sensação paradoxal é a de que sempre há uma nova nova notícia que você pode perder e ficar de fora. Não é preciso dizer que 99% das notícias podem ser ignoradas sem perigo algum.

Abaixo, você pode assistir ao vídeo de lançamento do livro de Ryan:

E, aqui, vai a entrevista de Ryan Holiday que é longa mas vale a pena:

  • Que ideia maneira…
    Conheci o Holiday pelo post dele sobre estoicismo (e no tanto que ele fala da filosofia estoica) , conheci o seu blog com o post de foco. Não sabia que esse blog tomava por base o do Holiday, mas, olhando agora, consigo ver semelhanças até na maneira de abordagem dos tópicos. Ambos tem uma pegada de muita referência a clássicos culturais, mas aplicada a reflexão de assuntos modernos, principalmente empreendedorismo e tecnologia (Não sei se isso é fato, ou se são os filtros na minha cabeça que me fazem enviesar para empreendedorismo e tecnologia).

    Também não tenho curtido o rumo que algumas coisas estão tomando…
    Já vi anúncios dispostos da seguinte maneira (mais ou menos assim, não é Ipsis litteris: Você quer ter um emprego normal, ou quer ter a oportunidade de mudar o mundo? Se quer salvar o mundo junte-se a nós e venha trabalhar em uma startup.

    Gosto do entusiamo por startups, que isso continue por muito tempo, acredito sinceramente no poder do empreendedorismo e da inovação de mudar as coisas, sei que pode. Mas acho que estão mais vendendo a ideia por trás de startup do que construindo alguma coisa com alicerces sólidos, que possa ser edificado.

    Me questiono realmente se muitas das pessoas que dizem querer mudar o mundo, querem salvar o mundo, ou querem salvar a própria vaidade, alimentando-a. Convenhamos soa muito bonito nos ouvidos (e no ego): Vou salvar o mundo.

    Respeito e admiro qualquer iniciativa, mas será que o mundo precisa ser salvo por outra super rede social? Parece que as pessoas não querem procurar os problemas do mundo, antes de querer salva-lo.

    Estou tentando escrever um artigo científico sobre o conceito de startups, e é muito difícil estabelecer um conceito universal científico. Mas é muito fácil observar o conceito de startup que é vendido. Todo mundo quer uma startup hj por que é na internet então é barato, pode-se trabalhar a hora que quiser, e depois que ficar bilionário podem fazer um filme sobre sua vida.

    Melhor parar por aqui, estou falando muito e fazendo nada, pra quem abriu esse comentário falando de estoicismo.

    Valeu André, vou tentar acompanhar mais o blog agora que o conheci.
    Abraços

    • Oi Vinícius,

      comecei a escrever um blog depois que vi o blog do Ryan. Fazia muito tempo que eu não encontrava alguém com coração pra escrever umas coisas e ser anárquico sendo letrado. Ele escreve sobre coisas que realmente me interessam pq. são relacionadas com o meu dia a dia que tb. faz parte da minha origem. Gosto do Alain de Botton tb. Conheço ambos pessoalmente (!) por coincidência. O Alain de Botton é bem superior ao Ryan que é bem novo ainda, um é europeu e o outro americano, o que faz uma diferença enorme nos pontos de vista. A forma de escrever eu não sei porque eu saio escrevendo mas o post “Foco” tem muito de manipulação de mídia e algumas visões do Ryan que amadureceram na minha cabeça. Eu li The media monopoly, de Ben H. Bagdikian quando eu era bem novo ainda, uns 16 anos e lembro de ter ficado vidrado mas não ter entendido bem o que o autor queria alertar. Depois Noam Chomsky que “semeou” uns questionamentos que nunca que deixaram quietos sobre os EUA, a mídia e as corporações. O assunto do Ryan me interessa e tem muito desses autores na bibliografia do seu livro.

      Eu estou na rabeira desses autores pra tentar entender um décimo do que eles entenderam.

      Uma coisa é certa, tem que se recorrer há um passado remoto e “puro” para se tentar entender como o desenvolvimento da sociedade se deu por isso as citações e referências, concorda?

      Sobre startups, é como religião, tem o seu lado bom e o seu lado ruim, corrupto. As startups na minha opinião são empresas que revigoram o mercado substituindo antigas formas de produção e negócios por novas mais eficientes. A internet é uma revolução e muda bastante a forma das pessoas se conectarem e trocarem produtos e serviços e principalmente informações. Isso causa uma mudança “disruptiva” num primeiro momento. Há uma “explosão cambriana” de novas organizações e uma extinção em massa de outras.

      A dificuldade em se analisar é pq. mesmo mudando os agentes, as formas de comunicação, as estruturas do capitalismo são as mesmas e toda a organização e valores da sociedade ocidental é basicamente a mesma e suas conseqüências são tb. as mesmas. Ou seja, já houveram revoluções anteriores e haverão novas revoluções porém dentro de uma mesma visão e escalada competitiva.

      Em suma, estaremos sempre há serviço das grandes corporações (bancos e amigos) e governos corruptos, numa visão mais pessimista 🙂

      Sim, a grande maioria dos “startupeiros” são oportunistas e dinheiristas, porém acho que não duram muito.

      Há um sentimento humano ao se criar algo, a se fazer uma ferramenta, uma nova forma de armadilha ou de tenda que é inerente a criação. Uma sensação de satisfação e segurança em si mesmo. Na realização de algo maior que si próprio. Mudar o mundo é uma historinha bonitinha que acaba por funcionar e forma opinião dos outros.

      Mas de fato, a história continuar através das inovações de todos os tipos e vai continuar sendo dessa forma.

      Não sei se eu fiz muito sentido 🙂

      abraços! e obrigado

      • Se vc fez sentido? Pô…qnd vc pensa de uma forma, e começa a encontrar raciocínios similares ao seu é muito legal. É como encontrar sexta-feira na ilha. Ainda que, possivelmente, encontrar raciocínios dispares talvez nos faça crescer mais.

        Minha leitura se concentra muito mais em journals do que em blogs ainda, o que me chateia muitas vezes. Acompanho os blogs do Ben Casnocha (Esse, aliás, escreveu sobre foco recentemente tbm), Andrew Chen, Tony Wright (as vezes), Jason Baptiste, Kawasaki e o próprio Ryan. Não conhecia o Botton, vou começar a acompanha-lo agora que vc indicou.

        Mas me senti muito a vontade aqui. Sinto afinidade com aquilo que eu penso pessoalmente, e não só profissionalmente. Não vejo ninguém aqui querendo ser moralista (o que é chato bagarai), ninguém mostrando um caminho a se seguir, vejo debates abertos sobre nossa relação com nosso meio, e como isso pode nos influenciar.

        Voltar ao passado para entender como nossa sociedade se desenvolveu é importante. Mas entendo que existimos em ciclos, por isso vejo as citações como uma forma de aprender com quem superou desafios similares aos nossos, no ciclo deles. Observo a evolução do ponto de vista espiral (mais ou menos como os maias), então se vc não observou alguém jogar Super Mario Bros no SNES, acho que vai demorar mais pra aprender a matar tartarugas no Super Mario Bros pra 64. É como se contexto, cenários, e velocidade mudassem, mas parece que há algo imutável na nossa história.

        Concordo com vc em tudo qnt a startups.
        Não sei se sou envenenado pelo capitalismo, mas eu acho que é o sistema mais apto para nossa civilização. De novo, não sei se sou influenciado pela mídia pra ter essa opinião, mas acho que o capitalismo é o único sistema em que David pode ganhar de Golias, Rocky ganhar do Apolo, Daniel San ganhar da academia kobra k, só depende da gente (se alguém quiser discutir sobre as crianças pobres na África nesse ponto, é assunto pra outro tópico). Porém acho que poderíamos ser mais liberalistas, acho que a mão invisível de Smith pode ser um pouco mais invisível, e a seleção natural do Darwinismo econômico podia ser um pouco mais natural. Vi um exemplo de cooperativa na espanha….e pensei num mundo baseado em empresas-estados (primeira vez, que publico esse pensamento, exclusividade kkkk)…mas isso é algo que ainda tenho que amadurecer.

        André valeu por ler esse monte de insanidades que eu escrevo, e ainda responder.
        Já li outros tópicos do blog, que achei muito fera, eu tendo tempo tento comentar.

        abração, vlw

        • Oi Vinícius, legal o debate e conversa por aqui 🙂

          Aí que tá, Na minha opinião, o que está acontecendo agora com a “febre” das startups tem muito de sensacionalismo criado por oportunistas e manipuladores em algumas comunidades e “eventos” bastante noticiados porque ele atinge em cheio um grupo de jovens que está sedento por oportunidades novas. Isso dá vazão a esperanças e como resultado há uma competição saudável mas que sim, como todas as outras, vai gerar muita frustração pq. embora seja um mercado novo que cresce a competição é sempre relativa e há os vencedores e fracassados como em todas. Essa dinâmica que move tudo.

          A internet é a Serra Pelada da classe média mundial.

          Steve Jobs era classe média, Mark Zuckerberg, Bill Gates. Classe média significa que teve acesso a educação, a um padrão bom de infância e adolescência, acesso, bagagem cultural dos pais mas ainda não herdando suficiente algo para que possa se alienar da corrida e trabalhe não para a manutenção mas prossiga na conquista de espaço e dominância.

          Até então é capitalismo 101. certo?

          É um jogo onde o acaso está presente. Onde facilidades herdadas, conhecidos, talento, está tudo envolvido e posto pra jogar. É um poker.

          Neste sentido, é sim, um dia da marmota circular, só mudando o tipo do jogo, mas a competição obsessiva dos players é a mesma. Cabe a cada um visualizar, calcular suas possibilidades de vencer e jogar, ou ser candula, árbitro, espectador ou dono de time.

          Vejo-me num mundo pequeno hoje onde mais e mais devemos retomar um conceito que pode ser falado mas que é sabido apenas quando “agido”:

          “Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão freqüentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser senciente, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia pelo outro. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.
          A compaixão diferencia-se de outras formas de comportamento prestativo humano no sentido de que seu foco primário é o alívio da dor e sofrimento alheios.[1] Atos de caridade que busquem principalmente conceder benefícios em vez de aliviar a dor e o sofrimento existentes, são mais corretamente classificados como atos de altruísmo, embora, neste sentido, a compaixão possa ser vista como um subconjunto do altruísmo, sendo definida como o tipo de comportamento que busca beneficiar os outros minorando o sofrimento deles.”

          http://pt.wikipedia.org/wiki/Compaix%C3%A3o

          Acho que esse conceito serve para as startups mundiais e acho que de certa forma, as que estão dando certo, estão de acordo com essa conceito.

          Compaixão que é um conceito religioso em geral alivia a ganância do sistema e podemos ser a “diferença” que Steve Jobs se referia. São conceitos bastante comuns no budismo e induísmo, onde ele bebeu da água assim como o famoso JC (Jesus Cristo).

          Compaixão é dar água a quem tem sede.

          Não seria esse o conceito de uma startup de sucesso? “Blasfemias” a parte, acredito hoje que o propósito moral (ou fé em…) de qq. empreitada é o que faz os seres humanos levantarem pela manhã.

          A fórmula é construir algo que contribui para diminuir a dor do outro e este retribui financeiramente com algum pagamento pelo serviço. Sempre foi e sempre será. (outro modelo seria o grátis mas que é pago por Roma, ops, não! pelo anunciante) 🙂

          Fico por aqui pq. to indo pra longe 🙂

          até o próximo comentário ! grande abraço