Empreendedores como Dissidentes

Isto é para os loucos.
Os desajustados.
Os rebeldes.
Os criadores de caso.
As peças redondas nos buracos quadrados.
Os que vêem as coisas de forma diferente.
Eles não gostam de regras.
E eles não têm nenhum respeito pelo status quo.
Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.
Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los.
Porque eles mudam as coisas.
Eles empurram a raça humana para frente.
Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos gênios.
Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.

Apple Inc.

Steve Blank escreveu um post que eu gostaria de ter escrito: Empreendedores como Dissidentes. Ele usa a propaganda Think Different da Apple como fundação para seu post. Essa propaganda me acompanha e, acredito que a muitos de nós, desde 97. Não passa muito tempo sem que eu me pergunte quais as verdades que ela esconde.

Empreendedores como Dissidentes

Os países que colocam seus artistas e dissidentes na prisão nunca irão ter sucesso em construir uma cultura de empreendedorismo. Eles ficarão relegados a criar melhores ratoeiras ou clonar modelos de negócios de outros países. (Será que você pensou no Brasil agora? Quem nos oprime? Ou seríamos prisioneiros das nossas próprias mentes?)

Quando Steve Jobs retornou a Apple, ele criou a campanha Pense Diferente, uma série de propagandas brilhantes que fizeram com que os consumidores da Apple acreditarem que ela ainda estava na luta.

Mas sem querer, o comercial capturou algo muito mais profundo.

Os malucos? Os rebeldes? Os criadores de problemas? Para celebrar essas pessoas como heróis é necessário um país e uma cultura que tolerasse e encorajasse a dissidência.

Porque sem dissidência não há criatividade.

Empreendedores como rebeldes, dissidentes e artistas
Empreendedores são os novos artistas.

Os países que rechaçam dissidentes ao mesmo tempo que tentam encorajar o empreendedorismo estão em desvantagem competitiva.

Superando os limites

A maioria dos startups resolvem problemas em mercados que já existem – fazendo algo melhor do que antes. Algumas startups escolher também resegmentar um mercado – achar um nicho desassistido em um mercado existente ou prover uma solução boa o suficiente com custo baixo. Esses todos são bons negócios e não há nada errado em criá-los.

Mas um pequeno segmento de fundadores são verdadeiramente artistas – eles veem o que ninguém viu. Esses empreendedores são os que querem mudar o “que é” para “o que pode ser”. Esses fundadores criam novas idéias e novos mercados superando qualquer barreira. Esse conceito de se criar algo novo que apenas poucos veem – e a o campo de distorção da realidade necessário para recrutar e formar um time para construí-lo – está no coração do que essas pessoas incríveis fazem.

Os fundadores que fazem um “dente” no universo são dissidentes. Eles não temem dizer a seus chefes que eles são idiotas ou dizer à suas escolas que estão ensinando coisas erradas ou ainda, dizer a toda uma indústria para pensar diferente. E, mais importante, eles não tem medo de dizer para seu país, que ele está errado.

Liberdade de Expressão, Discurso e Pensamento

Os empreendedores nos Estados Unidos já tem como cotidiano a sua liberdade de expressão, discurso e pensamento. Está lá na constituição deles, na primeira emenda.

Nos últimos anos, eu tenho viajado para muitos outros países que entendem o aparecimento do empreendedorismo como o motor econômico para o século XXI. Em muitos desses países, o governo está colocando enormes somas para construir programas de empreendedorismo, faculdades e até mesmo cidades. Mas muitas vezes quando eu pergunto quais questões esses empreendedores tem, a mais frequente pergunta é: “Como eu faço para tirar um visto para me mudar para os EUA?”.

Por anos, eu pensei que a razão para isso era apenas econômica. Os mesmos países que reprimem os dissidentes tendem a ter também uma corrupção institucionalizada, o que significa que sua qualidade de idéias não é o suficiente para prosperar por si próprio e que você precisa de “amigos nos lugares certos”. Mas agora eu vejo que tudo isso é parte do mesmo problema. É difícil focar em ser criativo quando grande parte da sua energia criativa está em tentar encontrar uma maneira de trabalhar dentro de um sistema que não tolera a dissidência.

Lições Aprendidas

  • Os empreendedores requerem a mesma liberdade criativa que artistas e dissidentes.
  • Sem liberdade, os países serão relegados a clonar modelos de negócio ou criar melhores versões de produtos já existentes.
  • A história tem nos mostrado que a maioria dos criativos deixam regimes repressivos e vão criar em outro lugar.
  • Obrigado por compartilhar isso!

  • Daniel Yoshida

    André excelente artigo! Apareceu-me como um reforço a filosofia que venho construindo. Obrigado por trazer boas informações à nós.
    Abs.

    • Oi, Daniel, valeu! Leia o steve blank e o paul graham que são uns caras legais pra se seguir pensando em empreendedorismo digital. abração