Foco

Gastar muito tempo na internet pode ter um custo alto na sua vida. Mas como retomar o foco?

mosaico ulisses e as sirenes
Odisseu (Ulisses) amarrado ao mastro de sua embarcação para se salvar das Sirenes na Odisséia de Homero, o grande poema épico Grego. Mosaico Romano do século III AD, Tunísia.

Se você procurar por foco no Wikipedia, você vai encontrar que: “Foco em geral é tomado como o centro de e é nessa asserção que é tomada como o ponto onde se concentram os raios luminosos que passam por uma superfície transparente. Alternativamente é o ponto de convergência ou donde saem emanações.”

Acho que nunca precisamos tanto de foco e concentração quanto agora para manter uma certa serenidade e sem dúvida, a sanidade.

Estamos vivendo a revolução da informação digital que precede a revolução da TV. Aprendemos a nos comunicar por gestos, então por sons, palavras, palavra escrita, palavra radiodifundida, palavra televisada e agora palavra digitalizada (e twittada). Começamos com conversas ao redor da fogueira, passamos a hieróglifos em pedras e cerâmicas, papiros enrolados, papéis grudados e impressos…opa, aqui é onde começa a uma revolução própria: a comunicação em massa.

Quanto a prensa começou a funcionar, ela foi usada para fins políticos. Em geral, um dono e sua família rodavam panfletos partidários com mensagens de opinião de seu grupo. Até aquele momento, a escrita era rara e usada geralmente para impostos (claro!), contabilidade e negócios e textos sagrados religiosos, como a Bíblia, Alcorão e livros de rezas de todos os tipos. Um livro era um luxo que em moeda atual custaria por volta de R$ 40.000,00.

O uso das prensas para a política trazia a mensagem de grupos que procuravam promover suas idéias de mudança e até esse momento, era uma tecnologia extremamente rara e possuída por poucos. A mensagem era poderosa pois era massificada e não havia outras muitas mensagens competindo. Havia uma economia de escassez em vigor no “mercado” de informações. A religião, outra poderosa fonte de mensagens, nunca foi uma grande produtora de novidades mas uma repetidora de mantras, o que ajudava a mensagem política a encontrar rivais apenas em outras mensagens políticas do partido concorrente que também precisaria de uma “prensa” a todo vapor e de mensagens cada vez mais persuasivas para conquistar seguidores.

Experts acreditam que esse é o primeiro jornal já publicado. Data de novembro de 1665.
Experts acreditam que esse é o primeiro jornal já publicado. Data de novembro de 1665.

Até surgirem os jornais, que nada mais eram um apanhado de notícias vendidos individualmente pelas ruas da cidade. O que importava era a chamada “headline”, o título. Em breve, os jornais começaram a vender assinaturas mudando seu modelo de venda para mensalidades o que os tornou fontes de informação mais seguras e menos manipuladoras, em relação ao formato que o precedia que baseava suas vendas no sensacionalismo de seus títulos.

Logo mais, apareceriam os rádios, os jingles publicitários, o horário do Brasil concorrendo com o jornal. Isso ampliava o “share of mind” que as mídias tinham na vida cotidiana, em outras palavras, ampliava a quantidade de informação que recebíamos de veículos de massa em detrimento dos veículos tradicionais que eram as pregações religiosas nas igrejas e templos e de pais e avós na famílias.

Ao invés de termos as informações vindas de gente “conhecida”, de nossa família e líderes de comunidade, passamos mais e mais a receber informação de veículos externos massificados e com mensagens pouco personalizadas.

A comunicação de massa e seus veículos além criaram as condições para manipulações pouco éticas porém por si, subverteram o foco das vidas de quem foi impactado criando um foco “extra-comunal e extra-familiar”. Se antes tínhamos um foco nas questões imediatas de nossa família e comunidade e também religioso, espiritual da mesma, passamos a ser gradativamente bombardeados por mensagens de caráter governamental amplo e de interesse das corporações que surgiram nesta mesma época.

Com poder financeiro e usando tecnologias mais e mais eficientes, o rádio e a TV trouxeram para dentro de casa uma nova forma de distração e um novo foco, e a possibilidade de manipulação imprecedente.

A genesis veio dos panfletos políticos mas a consumação desse processo que levou alguns séculos, veio com o rádio e a TV. Recebemos notícias da primeira e segunda guerra mundial pelo rádio mas a Guerra do Vietnã já veio através TV.

E com a TV em casa, o jornal chegando toda a manhã, já fazíamos parte de um mundo de massa onde passamos a receber constantemente mensagens manipuladas para chamar nossa atenção constantemente.

A mente do ser humano “moderno” passou a estar cada vez mais atenta às informações imediatas vindas de agentes externos e desconhecidos, as corporações das notícias, as News Corporations internacionais que decidiam o que deveria ou não ser comunicado e em algum nível, o que devíamos ou não saber e pensar.

A internet ficou popular com banda larga por volta dos anos 2000, ou seja, há 12 anos estamos em um processo de aceleração do que havia sido iniciado com os rádios e a TV: streaming real-time de notícias em nossas vidas.

Esse rio de notícias em tempo real que é visto no Twitter e nos seu feed de notícias do Facebook é algo que não conseguimos nos conter a olhar. A informação é como comida: se temos acesso é difícil não se fartar.

A força e a quantidade de informações que corre nas redes sociais é enorme. Um dilúvio de informações que nos chamam a atenção e ativa nosso medo de perder algo, o chamado FEAR OF MISSING OUT (FOMO), o medo de ser deixado para trás, de não estar a par do que se passa ao redor.

Esse medo é o grande motivador de nossa inclinação ao vício de conexão às mídias sociais e a internet. Assim, estamos de certa forma programados ao vício da internet a menos que consigamos encontrar formas de minimizar nossa compulsão a atualização de novidades e consigamos alguma forma de filtragem inteligente das notícias vindas pela internet e sem esquecer do jornal e revistas e TV que ainda andam por aí a nos assustar.

Assim podemos voltar a pensar sobre FOCO

“Foco em geral é tomado como o centro de e é nessa asserção que é tomada como o ponto onde se concentram os raios luminosos que passam por uma superfície transparente. Alternativamente é o ponto de convergência ou donde saem emanações.”

Qual o seu FOCO? O que mais lhe interessa saber e fazer na sua vida e nos negócios? Qual o centro de convergência de seus interesses e como fazer para se manter atrelado, acorrentado a ele?

Mara, a personificação do Mal envia suas filhas para seduzir Buda.
Mara, a personificação do Mal envia suas filhas para seduzir Buda.

No poema épico Odisséia de Homero, Ulisses tem que se acorrentar ao mastro para continuar sua viagem a Ítaca sem ser distraído pelas sereias chamadas Sirenes. O mesmo aconteceu com Buda que sabendo dos riscos da distração não deu ouvido a sua libído quando lindas dançarinas, as filhas do Mal (Mara), foram enviadas para subjugá-lo.

A verdade e a mentira se multiplicam infinitamente na internet. No centro está a consciência do autor. É a consciência do que se fazer com a verdade e a falsidade que determinam se o autor está lutando contra o Mal (Mara) como Buda lutou ou se ele se tornou uma das filhas de Mara.

Nossos heróicos Ulisses, que se amarrou ao mastro e, Buda, que iluminou-se com técnicas de meditação, vemos possibilidades de salvação com táticas diferentes de se agir em frente ao desafio de se encontrar a verdade.

Não somos Ulisses nem Buda. Será que somos capazes de manter nossa jornada sendo distraídos diariamente por informação irrelevante como o mais novo conector do iPhone 5 ou uma foto do que seu amigo está comendo no jantar?

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Não acredite em nada, não importa onde leu ou quem falou, mesmo que seja eu quem tenha dito, a menos que você concorde com sua própria razão, seu próprio senso comum. – Buda

O tempo continua sendo o nosso mais valioso ativo.

Como manter o foco nas coisas que mais interessam na vida? Como vivenciar a vida sem distrações? O que realmente importa? Essas perguntas não são a mais nova polêmica de última hora no seu Facebook. Elas estão aí desde sempre.

Embora precisemos das informações e não queremos ficar por fora das últimas novidades, precisamos ter maturidade e disciplina para consumi-las, e, abstinência delas em muitas ocasiões.

O desafio é saber discernir informação boa de ruim e equilibrar momentos de aprendizado e momentos de reflexão para saber com nossa própria razão, no que acreditar e no que é definitivamente bom para nossas vidas.

Quanto mais imersos no mundo da informação, mais necessitamos de momentos de silêncio e meditação.

O caminho, como dizia Buda, é o do meio.

PS: Escrevi um outro post interessante sobre o assunto há algumas semanas atrás: A disciplina do menos que vale a pena.

  • yurigitahy

    Interessante seu post sobre massificação da informação chegar justo pela internet 😉

    Outro ponto: “A informação é como comida, se temos acesso é difícil não se fartar.” Só que o cérebro desliga sua vontade de comer quando você sacia sua fome (ou seu estômago incha e dói), e esse processo leva alguns poucos minutos. Comida é tangível, mas no caso da informação intangível, você precisa de um processo de algumas horas para ser desligado pela exaustão (esgotamento físico, mental, olhos doendo, etc). Não existe um “hormônio indicativo” para quando você está saciado pela informação – espero que inventem, antes do meu ataque de stress aparecer.

    • Guest

      j;jl

    • oi Yuri. 🙂 obrigado.

      q ponto legal que vc levantou. talvez a sonzeira, confusão, falta de clareza e a própria falta de foco “endêmica” seja um sintoma da obesidade “informacional”…concordo com vc, não sentimos dor de barriga, mas podemos dizer que ficamos num estado de “empanturramento” mórbido mental kekekek

      Um amigo meu dizia que o Bruce Lee dava uma sequência de 3 socos e aí uma olhada pra saber o que tinha acontecido…conferia o estrago. acho que como tudo, o descanso é tão importante qto. o treino…mas isso é um lugar comum.

      Achei legal a questão de sermos os decisores conscientes de sermos Budas ou Maras: ou iluminamos o caminho do bem ou somos parte do mal. A escolha está no nível de iluminação e clareza do escritor, canalizador da verdade e da luz para os outros através, veja só, de posts kekekek

      Acho que o Steve Jobs (sempre ele) era um cara que tinha um balanço enorme e uma clareza incomum provavelmente por não ser dominado e subjugado pelas filigramas do desenvolvimento mas se posicionar no limiar entre a tecnologia e o ser humano…

      Acho que temos que tentar sempre ir pelo caminho do meio sim, ler demais e receber muita informação entorpece muito e acabamos confusos.

      Abraços pra vc e family 🙂

    • Manipulação em massa via internet começa através de pequenos blogs e dominam o mainstream que todo mundo lê. Parece inclusive pior, dada a velocidade. 😉 e sim, via Internet. 😉

  • Acho que o risco de manipulação para os próximos anos é latente. Tenho muita curiosidade,
    mas ao mesmo tempo receito, de observar a organização social em se massificando o uso
    de assistentes pessoais inteligentes, caso do aplicativo “google now”.
    Entendo que esses aplicativos podem trazer grande contribuição a nosso sistema de vida.
    Mas já diria tio Ben Parker: “Grandes poderes vem com grandes responsabilidades” kkk
    O potencial de manipulação e de fazer o mal desses aplicativos será imenso.

    Mas já acompanhamos a guerra pelo controle da informação faz muito tempo, o nome da rosa é uma boa
    pedida pra assistir essa guerra, quando o sistemas de informações eram um pouco mais robustos kk
    Acho que marcamos alguns gols, como na época do iluminismo. Mas a bem da verdade, acho que nós,
    enquanto sociedade gostamos de ser manipulados. Sair do sofá e mudar algo é muito irracional e
    complexo. Parece mais lógico e sensato esperar que alguém desça com um cajado mágico do céu,
    trazendo a mudança.

    Contudo, pra não perder o foco, legal demais o texto André. To em busca desse tal de foco,
    essa passagem de Buddha me ajudou bastante. Só uma retificação, André, acredito que no épico de Homero
    Ullysses estivesse em direção a Ítaca, qnd foi abordado pelas sereias, e não em direção a Tróia.

    Abraços

    • Vinícius,
      me dá um prazer imenso poder colocar pra fora essa idéias e receber comentários e discutí-las é absurdamente importante pra mim. Te agradeço por participar.

      Pensando mais a fundo, na questão da manipulação, me coloco hoje em dia em cheque: E, se grande parte das mensagens que eu recebi via meios tradicionais e agora pela internet, ou seja, grande parte do que eu sou “culturamente” tenha sido construída por uma sociedade e consumo na qual sou eu o “pato”, mantenedor de um sistema que por fim só “me faz caminhar com sede em busca de água e me oferece um copo de água salgada que só me faz mais sedento”. E se, eu sou o produto de um sistema de comunicação e mercado que junto com a mensagem “educacional” tenha trazido o próprio vírus do meu descontentamento?
      Lembro de um dos meus professores de comunicação dizendo que a leitura de jornais e filmes faziam parte do meu aprendizado e que eu deveria lê-los constantemente. Envolvido agora em marketing de conteúdo sei que a melhor forma de inocular o consumo de produtos e serviços é envelopá-la (existe até expressão pra isso) em conteúdo útil. Ou seja, você lê um texto que é manipulado de forma tão vil que recebe a mensagem publicitária achando que está aprendendo, se informando.
      Se toda a mídia é sustentada e até mesmo tenha sido construída pelas corporações e interessados na manipulação do leitor, toda nossa cultura é construída para alimentar o monstro. Somos como em Matrix, uma criatura usada pela própria Matrix para se manter viva. O sistema está construído assim por isso não podemos ver.

      A Matrix nos criou.

      Portanto, nesse momento da minha vida, entendo que o vírus foi inoculado em mim ao longo de toda minha formação e por isso, eu sou Mara, eu sou o Mal, e não Buda. Não queremos ver porque nos destrói.

      A visão de que a sociedade não quer ver é verdadeira. A pílula da verdade (a vermelha, lembra?) é uma que se tomada vai mostrar que estamos vivendo uma ilusão e nossas vidas na verdade só servem de alimentação para o monstro.
      Vivemos no que os budistas chamam de num ciclo vicioso de Samsara (Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu) que nos faz cegos a verdade. Sidarta na religião budista, medita e se purifica do mal e encontra a iluminação, a verdade depois de 6 anos de meditando em baixo de uma figueira.
      Acho que tocamos em uma questão incrivelmente importante e que revolve até chegar a sustentabilidade do Planeta e sim, a capacidade do habitante do mundo ocidental encontrar alguma verdade e felicidade na vida.

      Discutindo aqui já tenho uma visão bem mais clara do assunto agora, quem sabe rende um novo post mais a fundo 🙂

      Obrigado pela correção, Ulisses seguia pra casa, Ítaca voltando de Tróia.

      abraços. Fico esperando seus comentários.

  • Por que temos que ter FOCO???

    Por que eu não posso fazer 5 coisas ao mesmo tempo????

    Eu quero fazer 5 coisas ao mesmo tempo, e considero uma EVOLUÇÃO da humanidade conseguir fazer 5 coisas ao mesmo.

    Pode até ser que o nosso crânio esteja rachando, ou as cinco coisas não tenham importância, mas eu quero fazer algo diferente do que vinha sendo feito pelos meus fucking ancestrais.

    Se alguém tiver que inovar que seja eu. Assim os meus filhos terão mais base para seguir por um caminho melhor.

    Eu quero e vou fazer cinco seis sete coisas ao mesmo tempo, e foda-se o foco.

    ARREBENTA!!

    Ricardo

    • Jordão,

      acho que ter 5-10 coisa para fazer pode ser um foco se o universo é de 100-500 coisas a se fazer, o que seria o mesmo que fazer tudo mal feito ao meu ver. Parece que há um limite para se ter destaque e fazer sentido.
      Lembra quando o Michael Jordan quis jogar Baseball? Ele foi mal demais pq. fugiu totalmente do seu foco e capacidade/treinamento. Fugiu da sua própria natureza.
      Parece que ambiente super competitivo, ou você tem foco ou há grandes chances de não se ter qualquer relevância ou impacto.
      Bruce Lee não ficou conhecido porque cozinhava frango xadrez, pescava e lutava kung-fu (ou Jeet kune do – fui pesquisar…). Ele ficou conhecido porque era fazia filmes de lutas marciais e lutava muito. O Michael Jordan também ficou conhecido como um dos melhores jogadores de basquetebol de todos os tempos e só isso (embora tenha sido um dos piores do Baseball – mas pouca gente sabe) 🙂

      De qualquer forma, podemos também dizer “f$%^&*(-se o foco”. A sua visão também tem lugar importante se pensarmos que o que importa não é ser o melhor mas fazer o que se quer nessa vida. Viva a anarquia e a liberdade.

      Concordo que o certo e o errado depende muito 😉

      arrebenta, Ricardo Jordan 23:)

      • Eu acredito que o “fazer bem feito” ainda é e sempre será o segredo do sucesso.

        O conceito de “melhor feito do que perfeito” tem parâmetros positivos e negativos. O foco em excesso prejudica o andamento das coisas sim, mas a falta dele te torna uma pessoa comum, sugada pelo mundo da informação.

        “Foda-se ao foco” é ignorar o processo de fazer melhor as coisas a cada dia.

        🙂

  • Priscila Kramer

    Olá André! havia escrito um comentário mas não sei pq ele não foi postado…vou escrever um post sobre ele no meu blog! Adoro esse tema!

    • Oi Priscila,
      publique seu comentário novamente. Pode ter tido algum problema com o aplicativo de comentários na hora de publicar.
      Me avise sobre seu post depois.
      valeu!

  • E aí André?? Muito bom o post.

    Comecei a escrever este comentário, dizendo que sou um cara focado e tal. Bem, apaguei por que não nem acho que seja totalmente verdade.

    Do ponto de vista do consumo de informações, acho fundamental que as pessoas saibam achar o conteúdo certo para cada necessidade, essencialmente de boas fontes.

    Pergunto, de modo geral, se foco é fundamental? Devaneios não podem levar a inspirações e a quebra de paradigmas?
    Se grandes gênios podem ter inspirações mediante a ingestão de certas “substâncias”, por que não podemos sair um pouco do “ponto onde se concentram os raios luminosos” de vez em quando para ventilar a mente, ou ainda para observar a periferia das coisas?

    O foco atrai ou repele a legítima inspiração?

    Talvez o caminho aqui também seja o do meio.

    • Danilo 🙂

      Pelo que parece o foco é importante quando se quer executar, chegar a algum lugar, meta conhecido, imaginado e acho que a propriedade dele é ser um pouco inflexível até chegar num outro momento ontem você reavalia e pode deixar a imaginação novamente solta pra calibrar o novo objetivo com base no que alcançou ou aprendeu durante o processo onde estava mais amarrado e concentrado.

      Parece que são 2 momentos distintos: foco e execução, planejamento e desenvolvimento/pesquisa.

      O que você acha?

      • André, não é sempre que nos deparamos com problemas insolúveis e os resolvemos, não necessariamente por plenitude de foco, mas por algum insight que lhe dá o poder de alterar o jogo. Acho que realmente, o maior passo pra se resolver um problema é conhecê-lo bem e muitas vezes o diagnóstico é o que demanda maior foco. Mas concordamos no final, posto que você citou certeiramente uma fase que demanda foco e a outra, criatividade. Na média, seguimos Buda e ficamos no caminho do meio.

  • Rodrigo Gava

    Elogios a parte sobre o tema escolhido, noto a importância do comunicador de desenvolver sua consciência sobre o material, o dado, a estória que ele quer comunicar. É a necessidade de se aprofundar, de vivenciar seu negócio propriamente dito, para que a sensação de vazio ou perda de foco não atormente. O mesmo pensamento acredito servir para o estudante, o internauta voraz, o consumidor de redes sociais, pois a confusão e a poluição que a grande oferta on line pode causar, seria abafada por uma consciência de escolha mais direta e aprofundada.
    Aquele abraço Yow brother Andrézão.

  • Emerson Zanella

    Foco!!!

    Muito bem explanada a questão do foco, por acaso eu tento manter o foco na internet, buscando a leitura de coisas dentro da minha vontade de querer saber. Por exemplo este seu post divulgada em mídia social, me chamou a atenção para a leitura porque é uma questão que eu procuro ter que é o foco na era da internet!! Veio a calhar, muito bem parabéns pelo post… e foco sempre, utilizar a internet com inteligência é um diferencial que muito pouca gente tem…

  • André, traço um paralelo entre a observação de uma estrela e a meditação. Engraçado como é difícil manter o foco numa estrela no céu a olho nu, se ficarmos olhando diretamente pra ela. Mas daí, utilizando-se da visão periférica, é possível vê-la quase que claramente. Independente das explicações da física para tal efeito, acho que o que vale aqui é pensar que na meditação isso também ocorre de certa forma. Se meditar é esvaziar a mente e exercitar o “não pensar em nada” – para que possamos perceber o presente, sentir aquele instante em sua plenitude – quando meditamos, trabalhamos com nossa visão “mental periférica”. A aceitação do ir e vir dos pensamentos, o let it go para que o nada ou o real foco entre em cena, não seria o “não olhar, para enxergar”?

    Meu ponto: talvez, ao aceitar todo o clutter de informação em nosso dia a dia, e – como os pensamentos que brotam durante a meditação – simplesmente deixá-lo ir, sem maiores preocupações, ou sem dar a essa massa efêmera uma representação maior do que ela em realidade tem, possa ser uma saída para vivermos mais focados e tranquilos. E sim, existe uma certa ambiguidade neste pensamento. Mas acredito que à medida que se exercita esse ritual, a própria escala de relevência que se refere ao tipo de informação que optamos por acessar ou não, vai se construindo e assim, tomando a frente nas decisões entre o “ler e o não ler”, o “acessar e o não acessar”.

    Thich Nhat Hanh é um monge budista vietnamita que ficou famoso por tentar incorporar técnicas de meditação em atividades cotidianas, como por exemplo, enquanto se lava a louça. Será que se fosse reescrever sua obra hj, não iria propor técnicas de meditação enquanto se posta uma foto no Instagram? hehe

    Talvez seja impossível dissociar a vida moderna das distrações. E talvez seja justamente o fato de aceitá-las, que possa nos libertar e nos trazer o foco. Afinal de contas, sabemos que o silêncio que tanto queremos, está dentro de nós mesmos, o tempo todo. Basta saber acessá-lo.

    O caminho, como diria Buda hoje, é o do e-mail.

    • Andrei, muito bom. Acho que a reflexão valeu 🙂 Tb. acho que podemos e devemos nos acostumar com a nova vida cheia de tecnologia e tirar proveito dela e diminuir os danos que ela pode causar. Acho que essa é a sabedoria que eu estava tentando ter clara quando escrevi o post e a coisa da meditação e do silêncio, da perspectiva que o vazio traz, é parte da solução pra se enxergar em meio ao tsunami de informação e manipulação que estamos imersos. (Estamos “claramente mais “maduros” e adentrando a “meia-idade hehehe quanta seriedade).

  • Thais França

    Estamos fazendo um maior número de atividades ao mesmo tempo, dormindo menos, realizando mais. Um dia, em breve, um louco vai propor a solução: que somemos horas nos dias, diminuindo as noites. Neste dia, depois de muita discussão, a proposta será acatada. Viveremos diferentes 365 dias no ano, não teremos mais 24h no dia e o tempo passará ainda mais rápido. Hoje já não obedecemos a regrinha antiga de que temos 8h para dormir, 8h para trabalhar, 8h para desfrutar do que sobra… sinal de que este dia de jogar fora os relógios com ponteiros até 12 está próximo. Pagamos caro por vivermos um mundo multifocal! As próximas gerações terão mais mãos, mais olhos, um estômago maior, um cérebro idem. Esse seu texto me levou para uma viagem de ficção científica! Muito bom, André. Ótima descrição da evolução da comunicação humana e sua refração.

  • Muito bom, André!
    Você me indicou o post e realmente vale a pena! 🙂

    Me sinto diariamente assombrado pela FOMO, tendo em vista a enorme opção de atividades para explorar.
    São muitos mundos disponíveis para um só ser humano.

    É o sentimento da “falsa procrastinação”, que pode ser a nova doença nas próximas décadas, assim como a obesidade e a necessidade de estarmos sempre saudáveis nos abominam nos dias atuais.

    Parabéns e abraço! 🙂