Be still and know

Hubble / Carina Nebula

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a Terra.
Salmos 46:10

“Aquietar” significa ficar em paz e concentrado. O termo budista é samatha (parado, calmo). “Saber” significa adquirir sabedoria ou entendimento. O termo para isso é vipasyana (insight ou o olhar profundo). Quando estamos quietos, olhando profundamente e tocando a fonte de nossa verdadeira sabedoria, nós tocamos o Buda Vivo e o Cristo Vivo dentro de nós e em cada pessoa que encontramos.

Diálogo

Em um altar em meu dormitório na França estão imagens do Buda e de Jesus e toda a vez que eu acendo um incenso, eu toco ambos como meus ancestrais espirituais.

Eu sou capaz de fazer isso porque eu já me encontrei com muitos cristãos reais, homens e mulheres das quais as vidas e palavras incorporam os mais profundos aspectos da tradição cristã.

A maioria dos limites entre as tradições são artificiais. A verdade não possui limites. As diferenças estão geralmente nas ênfases.

Não pense que o conhecimento que você atualmente possui é imutável, uma verdade absoluta. Evite ter a mente estreita e presa as visões presentes. Aprenda e pratique o desapego a visões para se manter aberto a receber novos pontos de vista.

Quando você olha no coração de uma flor, você, vê nuvens, luz do sol, minerais, tempo, a Terra e tudo mais no cosmos dentro dela. Sem as nuvens, não haveria chuva e também não haveria a flor.

Nenhuma tradição única monopoliza a verdade. Nós devemos olhar os melhores valores de cada tradição e trabalhar juntos para remover as tensões entre elas. Se fizermos isso, a paz terá chances.

Para o diálogo ser frutífero, nós precisamos viver profundamente nossas próprias tradições e, ao mesmo tempo olhar e ouvir profundamente os outros. Nós podemos apreciar a beleza e o valor de nós próprios e a tradição dos outros.

Para se manter digno e crescer forte, nós precisamos de raízes. Depois de um retiro, um jovem homem me disse: “Thây, eu me sinto mais judeu do que nunca. Eu vou dizer ao meu rabino que um monge budista me inspirou a voltar para ele.”

O diálogo deve iniciar, antes de tudo, dentro de você mesmo.

Introducão para Be Still and Know: Reflections from Living Buddha, Living Christ de Thich Nhat Hanh

Toda a forma de saber será hackeada

O rei está nú.

“Quanto mais a sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam.”
George Orwell

A internet já é um campo minado. Buscamos informação para viver e recebemos informação corporativa e monitoramento governamental. O sonho da internet acabou?

Marketing de conteúdo é a nova moda na internet e promete estragar mais um pouco do ambiente jogando mais lixo na rede.

Novidade não é, mas parece…movida pelo interesse dos players corporativos querendo comercializar seus aplicativos, serviços, broches e camisetas. A expressão “The content is king” já é falada até aqui no bar perto de casa mas tem gente que ainda acha que é a mais recente descoberta humana.

A grande maioria das empresas, hoje, está sendo pressionada a produzir seu próprio conteúdo informativo e não-publicitário para construir e engajar seus consumidores, diga-se tribo. Notícias, novidades, artigos, opinião, livros, infográficos, tweets, Facebook posts, Youtube vídeos…Slideshares, publicados com regularidade. Como era de se esperar, há mais porcaria do que nunca eclodindo no “universo paralelo” digital que diz mais ou menos assim: “Vocês, consumidores idiotas e manipuláveis, podem consumir esse lixo de conteúdo e compartilhar entre seus amigos (mais idiotas ainda) assim podemos criar um efeito em cadeia de compra do meu produto.”. E, então desse pensamento sublime emergem novidades esdrúxulas como detalhes sobre o acabamento do fio que interliga o fone de ouvido ao jack, ou a cor da cueca do Jay-Z, sem falar nos ‘leaks’ de produtos a serem lançados em bares nos arredores da matriz em São Francisco.

Ainda bem que feed não tem cheiro.

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A marca como um manifesto

O julgamento final - Michelangelo

“Onde há dignidade, senão onde há honestidade?” ― Cícero

Eu tenho 38 anos e quero viver a minha vida sem arrependimentos. Quero chegar lá, olhar pra trás e descobrir que entre as perdas e danos do processo, eu consegui vivê-la dignamente e, se possível, seja merecedor de uma medalha de honra ao mérito.

Se você procurar por honra no Wikipedia vai encontrar que “honra é a avaliação do procedimento de uma pessoa e estado social baseado nas adoções daquele indivíduo e ações. O oposto de honra é a desonra (ou opróbrio)”. Não diz muito claramente de primeira mas, lendo um pouco mais, encontro na mesma fonte que: “Honrado é julgamento que determina o caráter de uma pessoa exatamente: se ou não, a pessoa reflete “honestidade” (um conceito em português, que tem respaldo na Bíblia, de não-Corrupção, de “respeito”, “integridade” e/ou “justiça social”.

Samurai
Os samurais colocam a honra acima da sua própria vida.

No Japão, a honra sempre foi vista como um quase-dever (pelo Samurai, mas também pelo cidadão comum). Quando se perdeu a honra ou a situação fez-lhe perder, havia apenas uma maneira de salvar a sua dignidade: a morte. Seppuku (vulgarmente chamado de “harakiri“, fincar uma espada no abdômen) foi a mais ilustre morte em tal situação. A única forma de um Samurai morrer mais honradamente era ser morto em uma batalha com uma espada.”

Já pesquisando por integridade, encontrei que “vem do latim integritate, que significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honraéticaeducada, brioso, pundonoroso, cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocênciapureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.

São exemplos de integridade moral e corporal: a vida íntegra, a integridade física, dos bens sociais e individuais, integridade da honra e da fama, a integridade da intimidade pessoal, do nome, da imagem e dos sentimentos. É indiscutível a admissão da existência de determinados bens da personalidade e sua integridade, portanto, esta coaduna com o respeito, e este com a moral, e, quem tem moral, é íntegro.

Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infrigindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.” Continue lendo “A marca como um manifesto”